Capitulo 1
Foi ontem à noite que o meu
dilema começou. Eu estava alegre. Pensando em como o Alexandre, ultimamente,
tem me feito esquecer o Carlinhos tão rápido. Parece que foi semana passada que
o Alexandre era só uma desculpa porque eu tinha vergonha de dizer para as
minhas amigas que eu ainda gostava do Carlinhos, nunca me imaginei falando “o Alexandre é meu namorado” ou coisas do
tipo. Mas foi há no máximo umas quatro ou cinco semanas. Nessa época, ainda era
esse sentimento que eu sentia no meu dia-a-dia: eu olhava para o Carlinhos e
sentia coisas muito estranhas. Frio
na barriga, animação, vontade de abraça-lo, de dar as velhas gargalhadas que eu
costumava dar com ele... Mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma vontade maluca de
socar a cara dele toda vez que ele passava por mim. Eu só dizia pra mim mesma
que eu não podia fazer isso comigo. E ele, não podia fazer o que ele fez com os
meus sentimentos.
Eu lembro como se fosse
ontem. Nós estávamos conversando pelo telefone e ele disse a seguinte frase: “Sei
lá, acho que eu não gosto mais da Paola. Eu gosto mesmo é de você. Quer namorar
comigo?” e eu, iludida do jeito que era, só faltei morrer. Eu quis dizer que
sim, que eu desejava que ele me dissesse isso há séculos... Na real, eu
esperava por esse pedido desde o começo do ano. Até que, me lembro vagamente de
que começaram a surgir boatos de que ele (o Carlinhos) gostava de mim. Eu não
acreditei nem nas palavras da minha melhor amiga, que na época era a própria
namorada do Carlinhos, simplesmente porque eu não queria me iludir.
Mas pelo jeito, não
adiantou nada. Como eu mencionei antes, eu quis aceitar na mesma hora, mas
(graças a Deus) meus instintos falaram mais alto. Eu resolvi pensar. Fiquei
calada pelo resto da noite, não troquei uma palavra com ninguém no jantar,
simplesmente porque eu pensava que eu não tinha tempo pra comer. Na hora de
deitar, fiquei olhando para o teto, pensando, até que adormeci. E eu sonhei com
beijos e abraços, com Ele. Com o Carlinhos. Fiquei analisando na minha própria
mente o sonho várias e várias vezes, até perceber que não era aquilo que eu
queria. Pelo menos não com Ele. Eu queria viver aquilo no momento certo, com
alguém que eu tivesse certeza de que era a pessoa certa. Eu não queria me
imaginar beijando o cara que era praticamente meu irmão! Eu expliquei isso para
ele, que por sua vez ficou chocado. Ficou sem falar comigo por um bom tempo, e
eu não me preocupei com isso na hora, eu também não estava com a mínima vontade
de falar com ele ou sobre ele.
Então, eu guardei esse
conflito dentro de mim. Ninguém mais sabia disso. Mas no fundo, eu sentia algo
estranho acontecendo. Eu passei a sonhar com ele todas as noites. E eu,
continuei guardando isso pra mim, porque, como disse a Paula Pimenta, eu tinha
medo que alguém entrasse lá dentro de mim e roubasse aquele sentimento tão
especial e louco que eu estava sentindo, e então, eu guardei tudo isso até esse
ano. E eu, tão ingênua, fiquei achando que estava apaixonada... Longe disso. O
que eu estava sentindo pela primeira vez era ainda pior... O que acaba com a
maioria dos relacionamentos pelo mundo inteiro.
É um pequeno monstrinho
chamado ciúme. Porém, só no começo ele é um pequeno monstrinho. Digamos que ele
é como uma virose. Começa pequeno, é tão indefeso... Quase imperceptível. Mas
então, ele começa a crescer, a deixar de ser tão inocente, e alcança seu
objetivo: te deixar mal, ocupando o resto do seu coração que não está ocupado
com aquela pessoa especial que tem te causado tanto ciúme. Foi horrível
vê-lo agindo com toda garota que ele cumprimentava como ele agia somente
comigo, quando ainda éramos melhores amigos. E o pior: ele agia com todas
daquela forma, menos comigo. Pior ainda, ele nem olhava pra minha cara!
Se ele pelo menos agisse
com as outras daquela forma, mas ainda comigo, eu ficaria até feliz por ele
estar interagindo com as outras garotas. Mas, na boa, eu ficava chocada.
Enquanto ele tratava todas como suas bffs,
ele nem me dava um “oi” ou até um “como vai?” ou simplesmente um “bom dia”. Eu,
todos os dias o chamava pra conversar nas redes sociais, perguntava que tipo de
atitude era aquela, e ele sempre me dizia que devia ser impressão minha, pois
ele continuava o mesmo amigo de sempre. Oi?
“Sim, claro, me internem em um
hospício!” era o que eu pensava. Não era possível. Normal ele não estava.
Até que um dia eu cansei de
sofrer. Era agora ou nunca. Se ele
não estivesse online no Facebook, ligaria para o celular dele. Se ele não
quisesse me atender, estava disposta a ir até a casa dele. Mas, foi fácil,
porque ele estava online. Eu comecei com o original “oi”. Ele me mandou um “oi”
e um “tudo bem”. Nossa, que criatividade. Eu mandei um “tudo, e você?” e ele
respondeu somente “tudo”. Era nessa hora que eu costumava implicar com o jeito
que ele estava agindo, mas nesse dia eu disse “qual é o problema?”.
Foi a frase que acabou com
a minha estrutura. Acabou praticamente com o meu dia-a-dia. Acabou com tudo. Ele disse que eu não era mais a
mesma, e ele também não era, tínhamos mudado muito, estava tudo errado... Eu só
mandei um grito, desliguei o computador e fiz a única coisa que eu sabia fazer
direito: chorar. Eu chorei, chorei, chorei muito. Passei a chorar um pouquinho
todos os dias depois da escola, por ter que ver Ele rindo com as outras
meninas, andando com todo mundo... Menos comigo.
Eu fiquei esquecida. Usada.
Inútil. E desesperada. O que eu ia fazer? O Carlinhos era praticamente tudo que
eu tinha! Ok, não exagera Celina. Eu tinha montes de amigos. Mas nenhum deles
me entendia como o Carlinhos. Ou pelo menos eu achava isso. Comecei a andar um
pouco mais com as outras meninas, coisa que eu não fazia há séculos. Sabe que
eu gostei? Eu sempre me dei melhor com os meninos, mas, agora, eu percebi que
não era bem assim. Eu fui vendo que tinha meninas com os mesmo interesses que
eu, como a Paola, ou a Rebeca, algumas das minhas atuais melhores amigas.
Eu fui me enturmando, e ao
mesmo tempo percebendo o mal que o Carlinhos me fez. Claro, ele fez a maior
parte dos meninos saberem que eu existo (muito difícil naquela época!) e isso
me fez bem. Mas ouvindo o que as meninas me disseram... Eu era uma vidrada.
Obcecada. Eu as ignorava, parecia que pra mim o Carlinhos era o único menino do
mundo. Ou melhor, a única pessoa do mundo. Era como se eu esquecesse que elas
existissem. E hoje eu reconheço isso. E devia ser horrível, tanto pra elas
quanto pra mim.
Mas, mesmo assim, algo continuava
me prendendo a ele. Talvez isso fosse um dos sintomas do ciúme. Eu o via, meu
coração disparava. Mas aos poucos, eu parei de observa-lo tanto quando ele chegava
(como de costume) atrasado na aula. Ou parei de olhar tanto quando ele dava
altas gargalhadas com outras garotas. Ou simplesmente percebi que eu ficava
melhor assim. Sem Ele. Mais alegre, mais saudável... Com ele eu ficava abobada,
com os pensamentos lá longe.
Eu, sem querer, passei a
odiá-lo. Falava mal dele com as meninas e às vezes me pegava desejando que ele
fosse mal na prova. Mas incrivelmente não deixava de gostar dele. E isso gerava
uma sensação horrível.
Mas eu precisava convencer
a mim mesma e as minhas amigas de que isso não era possível. Eu não podia
gostar dele. Eu tinha que gostar de outra pessoa. Até que, em um desses
malditos jogos da verdade, me perguntaram de quem eu gostava. Eu fiquei muda
por um tempo, até que falei o primeiro que me veio à cabeça: Alexandre. E foi
aí que a minha história começou.
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