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sábado, 12 de abril de 2014

MInha Vida Resumida em Conflitos - Capítulo 1

Capitulo 1
Foi ontem à noite que o meu dilema começou. Eu estava alegre. Pensando em como o Alexandre, ultimamente, tem me feito esquecer o Carlinhos tão rápido. Parece que foi semana passada que o Alexandre era só uma desculpa porque eu tinha vergonha de dizer para as minhas amigas que eu ainda gostava do Carlinhos, nunca me imaginei falando “o Alexandre é meu namorado” ou coisas do tipo. Mas foi há no máximo umas quatro ou cinco semanas. Nessa época, ainda era esse sentimento que eu sentia no meu dia-a-dia: eu olhava para o Carlinhos e sentia coisas muito estranhas. Frio na barriga, animação, vontade de abraça-lo, de dar as velhas gargalhadas que eu costumava dar com ele... Mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma vontade maluca de socar a cara dele toda vez que ele passava por mim. Eu só dizia pra mim mesma que eu não podia fazer isso comigo. E ele, não podia fazer o que ele fez com os meus sentimentos.
Eu lembro como se fosse ontem. Nós estávamos conversando pelo telefone e ele disse a seguinte frase: “Sei lá, acho que eu não gosto mais da Paola. Eu gosto mesmo é de você. Quer namorar comigo?” e eu, iludida do jeito que era, só faltei morrer. Eu quis dizer que sim, que eu desejava que ele me dissesse isso há séculos... Na real, eu esperava por esse pedido desde o começo do ano. Até que, me lembro vagamente de que começaram a surgir boatos de que ele (o Carlinhos) gostava de mim. Eu não acreditei nem nas palavras da minha melhor amiga, que na época era a própria namorada do Carlinhos, simplesmente porque eu não queria me iludir.
Mas pelo jeito, não adiantou nada. Como eu mencionei antes, eu quis aceitar na mesma hora, mas (graças a Deus) meus instintos falaram mais alto. Eu resolvi pensar. Fiquei calada pelo resto da noite, não troquei uma palavra com ninguém no jantar, simplesmente porque eu pensava que eu não tinha tempo pra comer. Na hora de deitar, fiquei olhando para o teto, pensando, até que adormeci. E eu sonhei com beijos e abraços, com Ele. Com o Carlinhos. Fiquei analisando na minha própria mente o sonho várias e várias vezes, até perceber que não era aquilo que eu queria. Pelo menos não com Ele. Eu queria viver aquilo no momento certo, com alguém que eu tivesse certeza de que era a pessoa certa. Eu não queria me imaginar beijando o cara que era praticamente meu irmão! Eu expliquei isso para ele, que por sua vez ficou chocado. Ficou sem falar comigo por um bom tempo, e eu não me preocupei com isso na hora, eu também não estava com a mínima vontade de falar com ele ou sobre ele.
Então, eu guardei esse conflito dentro de mim. Ninguém mais sabia disso. Mas no fundo, eu sentia algo estranho acontecendo. Eu passei a sonhar com ele todas as noites. E eu, continuei guardando isso pra mim, porque, como disse a Paula Pimenta, eu tinha medo que alguém entrasse lá dentro de mim e roubasse aquele sentimento tão especial e louco que eu estava sentindo, e então, eu guardei tudo isso até esse ano. E eu, tão ingênua, fiquei achando que estava apaixonada... Longe disso. O que eu estava sentindo pela primeira vez era ainda pior... O que acaba com a maioria dos relacionamentos pelo mundo inteiro.
É um pequeno monstrinho chamado ciúme. Porém, só no começo ele é um pequeno monstrinho. Digamos que ele é como uma virose. Começa pequeno, é tão indefeso... Quase imperceptível. Mas então, ele começa a crescer, a deixar de ser tão inocente, e alcança seu objetivo: te deixar mal, ocupando o resto do seu coração que não está ocupado com aquela pessoa especial que tem te causado tanto ciúme. Foi horrível vê-lo agindo com toda garota que ele cumprimentava como ele agia somente comigo, quando ainda éramos melhores amigos. E o pior: ele agia com todas daquela forma, menos comigo. Pior ainda, ele nem olhava pra minha cara!
Se ele pelo menos agisse com as outras daquela forma, mas ainda comigo, eu ficaria até feliz por ele estar interagindo com as outras garotas. Mas, na boa, eu ficava chocada. Enquanto ele tratava todas como suas bffs, ele nem me dava um “oi” ou até um “como vai?” ou simplesmente um “bom dia”. Eu, todos os dias o chamava pra conversar nas redes sociais, perguntava que tipo de atitude era aquela, e ele sempre me dizia que devia ser impressão minha, pois ele continuava o mesmo amigo de sempre. Oi?  “Sim, claro, me internem em um hospício!” era o que eu pensava. Não era possível. Normal ele não estava.
Até que um dia eu cansei de sofrer. Era agora ou nunca. Se ele não estivesse online no Facebook, ligaria para o celular dele. Se ele não quisesse me atender, estava disposta a ir até a casa dele. Mas, foi fácil, porque ele estava online. Eu comecei com o original “oi”. Ele me mandou um “oi” e um “tudo bem”. Nossa, que criatividade. Eu mandei um “tudo, e você?” e ele respondeu somente “tudo”. Era nessa hora que eu costumava implicar com o jeito que ele estava agindo, mas nesse dia eu disse “qual é o problema?”.
Foi a frase que acabou com a minha estrutura. Acabou praticamente com o meu dia-a-dia. Acabou com tudo. Ele disse que eu não era mais a mesma, e ele também não era, tínhamos mudado muito, estava tudo errado... Eu só mandei um grito, desliguei o computador e fiz a única coisa que eu sabia fazer direito: chorar. Eu chorei, chorei, chorei muito. Passei a chorar um pouquinho todos os dias depois da escola, por ter que ver Ele rindo com as outras meninas, andando com todo mundo... Menos comigo.
Eu fiquei esquecida. Usada. Inútil. E desesperada. O que eu ia fazer? O Carlinhos era praticamente tudo que eu tinha! Ok, não exagera Celina. Eu tinha montes de amigos. Mas nenhum deles me entendia como o Carlinhos. Ou pelo menos eu achava isso. Comecei a andar um pouco mais com as outras meninas, coisa que eu não fazia há séculos. Sabe que eu gostei? Eu sempre me dei melhor com os meninos, mas, agora, eu percebi que não era bem assim. Eu fui vendo que tinha meninas com os mesmo interesses que eu, como a Paola, ou a Rebeca, algumas das minhas atuais melhores amigas.
Eu fui me enturmando, e ao mesmo tempo percebendo o mal que o Carlinhos me fez. Claro, ele fez a maior parte dos meninos saberem que eu existo (muito difícil naquela época!) e isso me fez bem. Mas ouvindo o que as meninas me disseram... Eu era uma vidrada. Obcecada. Eu as ignorava, parecia que pra mim o Carlinhos era o único menino do mundo. Ou melhor, a única pessoa do mundo. Era como se eu esquecesse que elas existissem. E hoje eu reconheço isso. E devia ser horrível, tanto pra elas quanto pra mim.
Mas, mesmo assim, algo continuava me prendendo a ele. Talvez isso fosse um dos sintomas do ciúme. Eu o via, meu coração disparava. Mas aos poucos, eu parei de observa-lo tanto quando ele chegava (como de costume) atrasado na aula. Ou parei de olhar tanto quando ele dava altas gargalhadas com outras garotas. Ou simplesmente percebi que eu ficava melhor assim. Sem Ele. Mais alegre, mais saudável... Com ele eu ficava abobada, com os pensamentos lá longe.
Eu, sem querer, passei a odiá-lo. Falava mal dele com as meninas e às vezes me pegava desejando que ele fosse mal na prova. Mas incrivelmente não deixava de gostar dele. E isso gerava uma sensação horrível.
Mas eu precisava convencer a mim mesma e as minhas amigas de que isso não era possível. Eu não podia gostar dele. Eu tinha que gostar de outra pessoa. Até que, em um desses malditos jogos da verdade, me perguntaram de quem eu gostava. Eu fiquei muda por um tempo, até que falei o primeiro que me veio à cabeça: Alexandre. E foi aí que a minha história começou.

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