Sempre me disseram que eu não devia me arriscar, devia me afastar dele, porque ia dar em problema e eu saíria ferida.
Estavam todos certos. Eu devia ter ouvido tudo.
Porque foi como eu acabei.
Tudo começou com uma paixãozinha pequena... Aquela paixão que só servia pra responder de quem você gostava quando te perguntavam. Mas foi crescendo. Nós fomos nos aproximando, fomos virando amigos aos poucos... Mas eu sempre quis que fossemos mais. Mais do que simples amigos.
Mas ele? Ele não. Ele não me queria como mais que amiga.
Isso me irritava. Eu achava que ele não via meu valor. Não via que eu podia o fazer feliz. Mas acha que isso mudou meu sentimento por ele?
Claro que sim.
Me apaixonei ainda mais.
Era isso que me encantava. O jeito debochado de falar, o cabelo bagunçado, o jeito meio rebelde, a risada esquisita, o estilo descolado, tudo. Tudo nele me encantava. Tudo nele me deixava ainda mais apaixonada. Inclusive o fato de que ele estava muito longe do meu alcance. Isso me fazia quere-lo ainda mais.
Lembro das vezes que iamos ao cinema juntos, apenas como bons amigos. Eu ficava horas na frente do espelho, arrumando cabelo, fazendo maquiagem, experimentando roupa, e sempre pensando o que ele iria achar. Se ele iria gostar mais de mim daquele jeito.
E foram dias ótimos. De uma amizade ótima, e totalmente inesquecível.
A minha amizade com o meu primeiro amor.
Mas de repente... Tudo sumiu.
O cinema, as horas na frente do espelho, as conversas até tarde pelo Facebook, tudo isso foi substituido por noites escrevendo poemas raivosos, horas pensando que eu sou a pessoa mais idiota da terra e as vezes que eu chegava chorando do colégio porque ele não olhava mais pra minha cara.
Porque foi exatamente como disseram.
Ele me deixou na mão, sozinha, iludida, apaixonada...
Ferida.
- Duda Porto